Designa-se por Formato APS ("Advanced Photo System") uma nova geração de filmes, máquinas e acessórios, lançada em 1996 pelos principais fabricantes de material fotográfico generalista - Kodak, Nikon, Canon, Minolta, Fuji, Agfa, Olympus e Konica.
O Formato APS combina a química tradicional da fotografia a cores com a tecnologia digital.
Características principais:
- A película de 24 mm tem menores dimensões que a de 35 mm, o que permite o fabrico de câmaras cerca de 20% mais pequenas e mais leves que as de 35 mm.
- As emulsões são mais finas, permitindo ampliações com grande definição e restituição máxima das cores.
- A película está encerrada numa cassete hermética, evitando assim que o utilizador tenha que a manipular, eliminando eventuais danos como riscos, dedadas, exposição à luz, etc.
- Desaparecem as "dificuldades" de inserção do rolo dentro da câmara, bastando colocar uma cassete dentro dela, fechar a tampa e o filme posiciona-se automaticamente, sem riscos de má colocação.
- Todas as cassetes têm um número individual de identificação impresso numa banda magnética, que figura também no verso das fotografias impressas, juntamente com o número de cada fotografia e outras informações, facilitando a pesquisa e evitando erros em caso de reproduções.
- Os negativos nunca se podem ver e são devolvidos na mesma cassete do filme virgem. O utilizador recebe um índice de impressões, que é uma prova por contacto de tamanho reduzido (10x15 cm) onde estão impressas e numeradas todas as provas, de forma a facilitar a sua escolha para impressão, sem tocar na película. Desta forma os negativos não são susceptíveis de se estragarem, perderem ou até de se baralharem. Este sistema também é melhor para classificar e arquivar as fotos.
- A existência de uma banda magnética no filme permite a "comunicação" entre este, a câmara e o laboratório fotográfico. Cada fotograma tem capacidade para gravar 400 Bytes de informação que pode ser lida pelos novos equipamentos de processamento de películas. Podem gravar-se informações como o tempo de exposição, abertura de diafragma, as condições de iluminação em que foram feitos os registos fotográficos, entre outros dados possíveis. Estas informações também permitem aos laboratórios optimizar a qualidade de impressão.
- As cassetes podem ser retiradas da câmara a meio ou em qualquer fase de utilização. Novamente dentro da câmara, a banda magnética "lê" o filme e recoloca-o onde ainda não estava exposto.
- Para já, a gama de filmes negativo/cor disponível permite a escolha entre quatro sensibilidades (100, 200, 400 e 800 ISO), com 15, 25 e 40 exposições, mas prevê-se que futuramente os filmes tenham uma maior capacidade de armazenamento de imagens e uma maior gama de sensibilidade. Já existem também filmes a preto e branco e diapositivos APS.
- Existem três formatos de impressão: C - clássico de 10x15 cm. H ou HDTV - "Hi-view" proporcional ao formato dos écrans de televisão 16:9, com 10x18 cm. P - panorâmico com 10x25 cm.
- Capacidades multimédia - A existência de periféricos informáticos e leitores de vídeo próprios, permitem visionar facilmente as imagens APS num computador e numa televisão. Também existem scanners próprios para formato APS (basta introduzir a cassete com o filme) o que permite às melhores lojas de revelação entregar aos clientes as fotos digitalizadas com dois tipos de definição em CDR, além da normal impressão em papel.
- As câmaras fotográficas APS existem já numa vasta gama de preços e qualidade/possibilidades, desde a mais simples câmara compacta de foco fixo, passando pelas de distância focal variável (zoom), até às "reflex" de objectivas intermutáveis.
2000
15-7-05 - Tecnicamente o formato APS morreu, devido à vulgarização da fotografia digital.
António Carvalhal, 2005
Este texto foi aqui colocado pelo Fotógrafo João Cristina, nos termos de um projecto de pesquisa efectuada para o desenvolvimento do seu Site de Fotografia, http://www.cortefocal.com
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Tratamento de imagem através de computador
As novas tecnologias e mais concretamente a informática, ultrapassaram o âmbito inicial, estritamente científico e técnico, entrando nos mais variados campos da sociedade moderna.
Concretamente no campo do "tratamento" da fotografia por computador (fotografia digital) a evolução é espantosa.
Designam-se imagens numéricas ou informáticas as produzidas por qualquer tipo de cálculo realizado num computador. Portanto, as chamadas imagens digitais não entram nesta classificação, visto serem representações de dados ou magnitudes físicas, através de caracteres ou cifras (dígitos), o que significa que uma fotografia tem a possibilidade de ser ou não digital, mas em qualquer dos casos será uma imagem óptica.
Por razões técnicas, os circuitos electrónicos dos computadores, só são capazes, na sua maioria de reconhecer sinais eléctricos do tipo digital. Os métodos de codificação interna são de origem binária. O sistema binário baseia-se na representação de quantidades utilizando os dígitos 1 e 0. Só pode representar-se a presença de tensão num qualquer ponto do circuito pelo número 1 e com um 0 a ausência de tensão, ou seja, há informação no ponto 1 (negro) e não há informação no ponto 0 (branco). Cada dígito de um número representado neste sistema denomina-se BIT (contracção de "binary digit"). O BIT representa a unidade mínima de informação. Utilizam-se nomes diferentes para designar os múltiplos do BIT: - oito BITs designam-se 1 BYTE. Ao conjunto de 1024 BYTEs chama-se KILOBYTE ou mais simplesmente K. Ao conjunto de 1024 KILOBYTEs chama-se MEGABYTE (MB). O GIGABYTE é o conjunto de 1024 MEGABYTEs.
A diferença das imagens analógicas, como as da fotografia e vídeo, para as imagens digitais é bem definida por Guy Nouri: "entre analógico e digital existe a mesma diferença que entre os movimentos de uma fita de plástico agitada pelo vento e as infinitas possibilidades que oferece a mesma superfície de grãos de areia, onde cada grão de areia é independente e a variedade da imagem é ilimitada".
Um sinal analógico é uma magnitude física contínua e proporcional ou análoga à do fenómeno a representar.
No caso da fotografia, a mais luz corresponde uma maior exposição e um maior escurecimento dos sais de prata. O sinal digital é descontínuo e quando um sinal analógico é convertido em digital, cada ponto da curva que representa a onda analógica é convertido num caracter binário.
O processo de transformar um sinal analógico em digital, chama-se digitalização. A digitalização é feita através de um aparelho próprio para o efeito, chamado "scanner", que transfere as imagens em papel ou transparentes (diapositivos, acetatos) para o disco do computador. O "scanner" é um instrumento fundamental para trabalhar imagens em computador e está cada vez mais vulgarizado, com preços mais acessíveis e com mais qualidade técnica.
Este processo permite, uma vez digitalizada uma imagem, operar sobre cada um dos caracteres que a formam e realizar todas as operações e tratamentos digitais de forma a alterar, melhorar ou compor a imagem inicial ( é possível fazer directamente, apenas com uma operação de teclado ou rato de computador solarizações e outros efeitos fotográficos, negativar imagens positivas, aplicar redes e tramas, alterações de cor, tonalidades e contrastes, aplicar um número infindável de filtros que produzem os mais variados efeitos desde distorções a inúmeros efeitos artísticos, etc.).
As imagens informáticas podem dividir-se nos seguintes campos:
- Imagens tratadas - aquelas em que o computador modifica a informação ou o conjunto de dados que constituem uma imagem prévia.
- Imagens sintéticas - São imagens ou objectos, que se apresentam com realismo fotográfico em termos de luz, textura e cor, mas que na realidade não existem. Todos os elementos que as constituem são integralmente construídos e calculados por um computador a partir de elementos teóricos. Como exemplo, temos as imagens de filmes como o "Exterminador" II e III, "Jurassic Park", etc..
- Imagens matemáticas - São um caso à parte das descritas anteriormente. Existe uma grande variedade entre elas. As mais conhecidas e divulgadas são as chamadas "imagens fractais" ou simplesmente fractais.
- Imagens virtuais - Como o seu nome indica, não existem fisicamente, embora recentemente se ouça falar frequentemente delas associadas às recentes tecnologias de realidade virtual. São aquelas em que o olho humano é "enganado", recebendo a sensação de imagens reais e tridimensionais. O procedimento para gerar este tipo de imagens é muito complexo, pois tratam-se de sofisticadas técnicas de imagem estereoscópica, em que cada olho recebe e descodifica imagens idênticas mas ligeiramente desfasadas entre si.
Destas formas de imagens informáticas brevemente descritas, as que nos interessam, pela sua relação mais directa com a fotografia são as imagens tratadas. As imagens tratadas, impressas ou gravadas, são aquelas em que os dados se podem imprimir sobre um suporte, papel ou transparência.
Qualquer computador recente está apto para trabalhar imagens, desde que o "hardware" (parte material do computador composta pelos elementos físicos do sistema, como circuitos, periféricos, etc., que permitem o tratamento de dados) seja adequado e tenha memória RAM e memória ROM suficientes.
A memória RAM (de "Random Acess Memory") é a memória de trabalho e principal de um computador. É a parte da memória disponível para aplicações e documentos, cuja leitura é efectuada a partir de um disco. O conteúdo da RAM desaparece quando se desliga o computador (é uma memória apenas activa durante o trabalho).
A memória ROM ("Read Only Memory") constitui a parte principal que não perde o seu conteúdo quando se desliga o sistema e onde constam os programas essenciais, os documentos criados e o suporte lógico do sistema. É na prática o espaço físico de armazenagem de um computador. Mede-se em Megabytes ou Gigabytes.
A memória RAM ideal para o processamento de imagens, é, no mínimo 256 MB (variável conforme os sistemas e o software), mas o ideal será ter pelo menos 1 GB de RAM. Quanto à memória ROM, quanto mais espaço de armazenamento estiver disponível, melhor, pois as imagens em disco ocupam normalmente muito "espaço". Este espaço físico ocupado é variável conforme a qualidade de digitalização da imagem (em pixels). De qualquer modo, actualmente, para tratamento e armazenamento de imagens convém trabalhar com um computador com disco (interno e/ou externo) com um mínimo de 20 Gigabyte de ROM, sendo o padrão médio dos discos actuais, de 80 a 120 Gigabytes. Para trabalhos profissionais recomenda-se um mínimo de 160GB de ROM.
Em termos de "Software" (entendendo "Software" como a parte imaterial de um computador, composta pelos programas, procedimentos e regras relativos ao tratamento da informação), o programa comummente mais divulgado em computadores pessoais e com mais potencialidades para tratamento de imagem é o Photoshop da Adobe Systems, actualmente na versão 9. Este programa, que normalmente vem associado à digitalização de imagem, pois é software fornecido em conjunto com muitos dos scanners de mesa - domésticos (embora na sua versão "light" LE), permite trabalhar as imagens, quer a preto e branco quer a cores (em canais separados de cor), e obter resultados semelhantes e até superiores aos que se obtinham por processos estritamente fotográficos, mas além disso permite explorar e desenvolver outras formas de trabalho inimagináveis para quem nunca o experimentou, através dos filtros, layers, canais, etc. (e também através de um bom domínio da mão e de critérios estéticos).
Ainda na área exclusiva de tratamento de imagem, existem outros programas como o Livepicture da Metatools, o Quark-X-Posure da Quark, Adobe PhotoDeluxe, Colorstudio da Letraset, PhotoStyler, etc.. OPainter da Fractal Design, o Dabbler da Letraset, o Morph para transformação e metamorfose de imagens são também bons programas para tratamento de imagem, pelas possibilidades que oferecem, embora sejam basicamente programas de desenho.
Em termos de software de ilustração os três programas mais usados são o Freehand da Macromedia, o Illustrator da Adobe e o Adobe In-design.
Existem ainda programas vocacionados para apresentações multimédia como o Aldus Persuation, Claris Impact, Microsoft Powerpoint, Adobe Premiére, Macromedia Director, entre outros.
António Carvalhal, 2005 ©
Este texto foi aqui colocado pelo Fotógrafo João Cristina, nos termos de um projecto de pesquisa efectuada para o desenvolvimento do seu Site de Fotografia, http://www.cortefocal.com
Concretamente no campo do "tratamento" da fotografia por computador (fotografia digital) a evolução é espantosa.
Designam-se imagens numéricas ou informáticas as produzidas por qualquer tipo de cálculo realizado num computador. Portanto, as chamadas imagens digitais não entram nesta classificação, visto serem representações de dados ou magnitudes físicas, através de caracteres ou cifras (dígitos), o que significa que uma fotografia tem a possibilidade de ser ou não digital, mas em qualquer dos casos será uma imagem óptica.
Por razões técnicas, os circuitos electrónicos dos computadores, só são capazes, na sua maioria de reconhecer sinais eléctricos do tipo digital. Os métodos de codificação interna são de origem binária. O sistema binário baseia-se na representação de quantidades utilizando os dígitos 1 e 0. Só pode representar-se a presença de tensão num qualquer ponto do circuito pelo número 1 e com um 0 a ausência de tensão, ou seja, há informação no ponto 1 (negro) e não há informação no ponto 0 (branco). Cada dígito de um número representado neste sistema denomina-se BIT (contracção de "binary digit"). O BIT representa a unidade mínima de informação. Utilizam-se nomes diferentes para designar os múltiplos do BIT: - oito BITs designam-se 1 BYTE. Ao conjunto de 1024 BYTEs chama-se KILOBYTE ou mais simplesmente K. Ao conjunto de 1024 KILOBYTEs chama-se MEGABYTE (MB). O GIGABYTE é o conjunto de 1024 MEGABYTEs.
A diferença das imagens analógicas, como as da fotografia e vídeo, para as imagens digitais é bem definida por Guy Nouri: "entre analógico e digital existe a mesma diferença que entre os movimentos de uma fita de plástico agitada pelo vento e as infinitas possibilidades que oferece a mesma superfície de grãos de areia, onde cada grão de areia é independente e a variedade da imagem é ilimitada".
Um sinal analógico é uma magnitude física contínua e proporcional ou análoga à do fenómeno a representar.
No caso da fotografia, a mais luz corresponde uma maior exposição e um maior escurecimento dos sais de prata. O sinal digital é descontínuo e quando um sinal analógico é convertido em digital, cada ponto da curva que representa a onda analógica é convertido num caracter binário.
O processo de transformar um sinal analógico em digital, chama-se digitalização. A digitalização é feita através de um aparelho próprio para o efeito, chamado "scanner", que transfere as imagens em papel ou transparentes (diapositivos, acetatos) para o disco do computador. O "scanner" é um instrumento fundamental para trabalhar imagens em computador e está cada vez mais vulgarizado, com preços mais acessíveis e com mais qualidade técnica.
Este processo permite, uma vez digitalizada uma imagem, operar sobre cada um dos caracteres que a formam e realizar todas as operações e tratamentos digitais de forma a alterar, melhorar ou compor a imagem inicial ( é possível fazer directamente, apenas com uma operação de teclado ou rato de computador solarizações e outros efeitos fotográficos, negativar imagens positivas, aplicar redes e tramas, alterações de cor, tonalidades e contrastes, aplicar um número infindável de filtros que produzem os mais variados efeitos desde distorções a inúmeros efeitos artísticos, etc.).
- Imagens tratadas - aquelas em que o computador modifica a informação ou o conjunto de dados que constituem uma imagem prévia.
- Imagens sintéticas - São imagens ou objectos, que se apresentam com realismo fotográfico em termos de luz, textura e cor, mas que na realidade não existem. Todos os elementos que as constituem são integralmente construídos e calculados por um computador a partir de elementos teóricos. Como exemplo, temos as imagens de filmes como o "Exterminador" II e III, "Jurassic Park", etc..
- Imagens matemáticas - São um caso à parte das descritas anteriormente. Existe uma grande variedade entre elas. As mais conhecidas e divulgadas são as chamadas "imagens fractais" ou simplesmente fractais.
- Imagens virtuais - Como o seu nome indica, não existem fisicamente, embora recentemente se ouça falar frequentemente delas associadas às recentes tecnologias de realidade virtual. São aquelas em que o olho humano é "enganado", recebendo a sensação de imagens reais e tridimensionais. O procedimento para gerar este tipo de imagens é muito complexo, pois tratam-se de sofisticadas técnicas de imagem estereoscópica, em que cada olho recebe e descodifica imagens idênticas mas ligeiramente desfasadas entre si.
Destas formas de imagens informáticas brevemente descritas, as que nos interessam, pela sua relação mais directa com a fotografia são as imagens tratadas. As imagens tratadas, impressas ou gravadas, são aquelas em que os dados se podem imprimir sobre um suporte, papel ou transparência.
Qualquer computador recente está apto para trabalhar imagens, desde que o "hardware" (parte material do computador composta pelos elementos físicos do sistema, como circuitos, periféricos, etc., que permitem o tratamento de dados) seja adequado e tenha memória RAM e memória ROM suficientes.
A memória RAM (de "Random Acess Memory") é a memória de trabalho e principal de um computador. É a parte da memória disponível para aplicações e documentos, cuja leitura é efectuada a partir de um disco. O conteúdo da RAM desaparece quando se desliga o computador (é uma memória apenas activa durante o trabalho).
A memória ROM ("Read Only Memory") constitui a parte principal que não perde o seu conteúdo quando se desliga o sistema e onde constam os programas essenciais, os documentos criados e o suporte lógico do sistema. É na prática o espaço físico de armazenagem de um computador. Mede-se em Megabytes ou Gigabytes.
A memória RAM ideal para o processamento de imagens, é, no mínimo 256 MB (variável conforme os sistemas e o software), mas o ideal será ter pelo menos 1 GB de RAM. Quanto à memória ROM, quanto mais espaço de armazenamento estiver disponível, melhor, pois as imagens em disco ocupam normalmente muito "espaço". Este espaço físico ocupado é variável conforme a qualidade de digitalização da imagem (em pixels). De qualquer modo, actualmente, para tratamento e armazenamento de imagens convém trabalhar com um computador com disco (interno e/ou externo) com um mínimo de 20 Gigabyte de ROM, sendo o padrão médio dos discos actuais, de 80 a 120 Gigabytes. Para trabalhos profissionais recomenda-se um mínimo de 160GB de ROM.
Em termos de "Software" (entendendo "Software" como a parte imaterial de um computador, composta pelos programas, procedimentos e regras relativos ao tratamento da informação), o programa comummente mais divulgado em computadores pessoais e com mais potencialidades para tratamento de imagem é o Photoshop da Adobe Systems, actualmente na versão 9. Este programa, que normalmente vem associado à digitalização de imagem, pois é software fornecido em conjunto com muitos dos scanners de mesa - domésticos (embora na sua versão "light" LE), permite trabalhar as imagens, quer a preto e branco quer a cores (em canais separados de cor), e obter resultados semelhantes e até superiores aos que se obtinham por processos estritamente fotográficos, mas além disso permite explorar e desenvolver outras formas de trabalho inimagináveis para quem nunca o experimentou, através dos filtros, layers, canais, etc. (e também através de um bom domínio da mão e de critérios estéticos).
Ainda na área exclusiva de tratamento de imagem, existem outros programas como o Livepicture da Metatools, o Quark-X-Posure da Quark, Adobe PhotoDeluxe, Colorstudio da Letraset, PhotoStyler, etc.. OPainter da Fractal Design, o Dabbler da Letraset, o Morph para transformação e metamorfose de imagens são também bons programas para tratamento de imagem, pelas possibilidades que oferecem, embora sejam basicamente programas de desenho.
Em termos de software de ilustração os três programas mais usados são o Freehand da Macromedia, o Illustrator da Adobe e o Adobe In-design.
Existem ainda programas vocacionados para apresentações multimédia como o Aldus Persuation, Claris Impact, Microsoft Powerpoint, Adobe Premiére, Macromedia Director, entre outros.
António Carvalhal, 2005 ©
Este texto foi aqui colocado pelo Fotógrafo João Cristina, nos termos de um projecto de pesquisa efectuada para o desenvolvimento do seu Site de Fotografia, http://www.cortefocal.com
A Fotografia Na Sociedade Contemporânea
"Uma imagem vale mil palavras" - provérbio chinês.
..." na foto, qualquer coisa se colocou diante do pequeno orifício e lá ficou para sempre (É essa a minha convicção); mas no cinema qualquer coisa se passou diante desse mesmo orifício: a pose é arrastada e negada pela sucessão contínua das imagens..."
..." As sociedades antigas encontraram um meio de fazer com que a memória, substituto da vida, fosse eterna e que, pelo menos, a coisa que falava da Morte fosse ela própria imortal: era o monumento. Mas, fazendo da Fotografia, mortal, o testemunho geral e como que natural "daquilo que foi", a sociedade moderna renunciou ao monumento. Paradoxo: o mesmo século inventou a História e a Fotografia. Mas a História é uma memória fabricada segundo receitas positivas, um puro discurso intelectual que abole o tempo mítico; e a Fotografia é um testemunho seguro, mas fugaz, de modo que tudo, hoje, prepara a nossa espécie para esta impotência: em breve já não poder conceber, afectiva ou simbolicamente, a duração. A era da Fotografia é também a das revoluções, das contestações, dos atentados, das explosões, em suma, das impaciências ..."
Roland Barthes - A Câmara Clara
Por todo o mundo, a fotografia surge como o meio de comunicação visual mais divulgado e menos oneroso dos media , e o mais eficaz para o registo, publicidade e até para o prazer pessoal.
A fotografia não é somente a ferramenta de comunicação visual comum aos países industrializados, tornou-se também no símbolo de democratização da utilização de meios, pois cada vez mais gente usa a sua câmara fotográfica para registar acontecimentos familiares ou para exprimir as suas reacções pessoais face à realidade circundante e ao imaginário.
Pela sua omnipresença a fotografia sob a forma de originais ou de reproduções impressas, tem um papel extremamente importante nas instituições sociais, artísticas, científicas, técnicas, publicitárias e até na nossa relação com a natureza. É manifestamente verdade que a câmara fotográfica modificou a nossa maneira de ver e registar o mundo que nos rodeia e até que nenhum ponto de vista original sobre a realidade pode ser considerado eternamente verdadeiro.
A câmara fotográfica é, desde a sua invenção e sobretudo desde o aparecimento da película fotográfica, da evolução das objectivas e da evolução dos próprios formatos, como as SLR de 35 mm, um meio fundamental de registo, praticamente em todas as áreas de actividade humana; pode por exemplo captar desde o momento mais breve parando a imagem com exposições de milésimos de segundo, como registar transformações sequenciais através de exposições intermitentes, acontecimentos históricos, sociais, etc. A câmara fotográfica pode ser associada a uma série de instrumentos de grande tecnologia, como instrumentos ópticos de grande precisão, microscópios e telescópios, sondas electrónicas com os mais diversos fins, computadores e outros aparelhos digitais, etc.
Na sociedade actual a fotografia não pode ser dissociada de tudo o que nos rodeia. A fotografia é muito importante no jornalismo, na publicidade, na moda, no design gráfico/de comunicação. A fotografia está indelevelmente ligada à arquitectura, à engenharia, às artes plásticas, ao restauro artístico, à arqueologia, astronomia, medicina, investigação científica...
Os factos e marcas do séc. XX, estão intímamente relacionados com a fotografia, pois são por ela fixados e divulgados. Ela é o testemunho objectivo desses factos. Uma fotografia, capta um momento único, que não mais se repetirá. Repare-se na importância que teve a fotografia (Execução de um prisioneiro Vietcong - Saigão) de Eddie Adams (fig.1) para o fim da guerra do Vietname. O impacto provocado por esta imagem dramática e a revolta que ela produziu em todo o mundo foi mais eficaz do que anos de reportagens jornalísticas ou televisivas. Ou nas belíssimas, mas terríveis pela sua veracidade, fotos de Robert Cappa da guerra civil Espanhola (fig.2) e da II Guerra Mundial, ou nas de Sebastião Salgado (fig.3) que revelam todo o horror e miséria do mundo subdesenvolvido e do mundo do trabalho.
Veja-se a importância da fotografia na estratégia publicitária de uma empresa multinacional como a Benetton. A polémica dos seus "out-doors" e catálogos não resulta das palavras (inexistentes para além da marca), mas sim da força, da composição, da cor, do contraste, do impacto por vezes chocante dos conteúdos das mensagens e do inesperado das suas fotografias. Oliviero Toscani, director de arte e fotógrafo da Benetton provocou sempre diferentes críticas e reacções ao tentar misturar a linha existente entre arte e publicidade.
Mas a importância da fotografia não está só em imagens polémicas. Podemos apreciá-la e até emocionar-mos, observando apenas a sua beleza e qualidade estética e técnica. Vejam-se algumas fotografias de Man Ray , Cartier Bresson (fig.4) , Imogen Cunningham (fig.5), Richard Avedon, Alfred Stieglitz, Ansel Adams (fig.6), Eliot Porter, Irving Penn, Franco Fontana , C. Berengo Gardin (fig.7), Édouard Boubat, Edward Weston (fig.8), Paul Strand (fig.9), Robert Doisneau, Arno Minkkinen (fig.10), Ralph Gibson, e desse espantoso retratista africano Seydou Keita (fig.11), só para citar alguns nomes.
A fotografia afirmou-se como uma arte autónoma. A carga imensa de informação e expressão que uma fotografia pode conter faz dela um meio tão elevado como qualquer outra forma de arte.
Uma fotografia, apesar de na prática ser um múltiplo e o "produto de uma máquina" pode atingir no mercado de arte valores consideráveis, embora nunca comparáveis aos preços elevadíssimos atingidos pelas artes plásticas. Actualmente é vulgar ver em exposições e feiras de arte fotografias (normalmente de grande formato) expostas lado a lado com pintura e escultura.
Em 1991, num leilão da Sotheby´s em Nova Iorque foi vendida uma fotografia de Tina Modotti, denominada "Roses, Mexico" (ver imagem acima, fig. 12) uma platinotipia de 1923, por 25.000 contos. Também um fotograma de Man Ray atingiu um preço semelhante em 1990. Recentemente foi vendido em Paris, um álbum de 160 fotografias do Egipto realizadas em 1851 por Felix Teynard, por 120.000 contos. No "Salon Paris Photo" de Novembro de 1999, foi vendida uma impressão de uma fotografia de Edward Weston por 2,3 milhões de francos.
As fotografias de Robert Mapplethorpe, depois da sua morte em 1989 subiram rapidamente de cotação atingindo preços na ordem dos 3000 contos. A fotografia mais conhecida de Ansel Adams "Moonrise, over Hernandez, New Mexico" de 1941 (em cima, fig. 6), da qual existem mais de mil exemplares impressos (todos pelo próprio) e que é talvez a fotografia mais reproduzida (em papel fotográfico) de toda a história , vale actualmente entre cerca de 1.000 e 3.000 contos, conforme a qualidade da prova e a data de impressão.
António Carvalhal, 2000/2007©
Este texto foi aqui colocado pelo Fotógrafo João Cristina, nos termos de um projecto de pesquisa efectuada para o desenvolvimento do seu Site de Fotografia, http://www.cortefocal.com
..." na foto, qualquer coisa se colocou diante do pequeno orifício e lá ficou para sempre (É essa a minha convicção); mas no cinema qualquer coisa se passou diante desse mesmo orifício: a pose é arrastada e negada pela sucessão contínua das imagens..."
..." As sociedades antigas encontraram um meio de fazer com que a memória, substituto da vida, fosse eterna e que, pelo menos, a coisa que falava da Morte fosse ela própria imortal: era o monumento. Mas, fazendo da Fotografia, mortal, o testemunho geral e como que natural "daquilo que foi", a sociedade moderna renunciou ao monumento. Paradoxo: o mesmo século inventou a História e a Fotografia. Mas a História é uma memória fabricada segundo receitas positivas, um puro discurso intelectual que abole o tempo mítico; e a Fotografia é um testemunho seguro, mas fugaz, de modo que tudo, hoje, prepara a nossa espécie para esta impotência: em breve já não poder conceber, afectiva ou simbolicamente, a duração. A era da Fotografia é também a das revoluções, das contestações, dos atentados, das explosões, em suma, das impaciências ..."
Roland Barthes - A Câmara Clara
Por todo o mundo, a fotografia surge como o meio de comunicação visual mais divulgado e menos oneroso dos media , e o mais eficaz para o registo, publicidade e até para o prazer pessoal.
A fotografia não é somente a ferramenta de comunicação visual comum aos países industrializados, tornou-se também no símbolo de democratização da utilização de meios, pois cada vez mais gente usa a sua câmara fotográfica para registar acontecimentos familiares ou para exprimir as suas reacções pessoais face à realidade circundante e ao imaginário.
Pela sua omnipresença a fotografia sob a forma de originais ou de reproduções impressas, tem um papel extremamente importante nas instituições sociais, artísticas, científicas, técnicas, publicitárias e até na nossa relação com a natureza. É manifestamente verdade que a câmara fotográfica modificou a nossa maneira de ver e registar o mundo que nos rodeia e até que nenhum ponto de vista original sobre a realidade pode ser considerado eternamente verdadeiro.
A câmara fotográfica é, desde a sua invenção e sobretudo desde o aparecimento da película fotográfica, da evolução das objectivas e da evolução dos próprios formatos, como as SLR de 35 mm, um meio fundamental de registo, praticamente em todas as áreas de actividade humana; pode por exemplo captar desde o momento mais breve parando a imagem com exposições de milésimos de segundo, como registar transformações sequenciais através de exposições intermitentes, acontecimentos históricos, sociais, etc. A câmara fotográfica pode ser associada a uma série de instrumentos de grande tecnologia, como instrumentos ópticos de grande precisão, microscópios e telescópios, sondas electrónicas com os mais diversos fins, computadores e outros aparelhos digitais, etc.
Na sociedade actual a fotografia não pode ser dissociada de tudo o que nos rodeia. A fotografia é muito importante no jornalismo, na publicidade, na moda, no design gráfico/de comunicação. A fotografia está indelevelmente ligada à arquitectura, à engenharia, às artes plásticas, ao restauro artístico, à arqueologia, astronomia, medicina, investigação científica...
Os factos e marcas do séc. XX, estão intímamente relacionados com a fotografia, pois são por ela fixados e divulgados. Ela é o testemunho objectivo desses factos. Uma fotografia, capta um momento único, que não mais se repetirá. Repare-se na importância que teve a fotografia (Execução de um prisioneiro Vietcong - Saigão) de Eddie Adams (fig.1) para o fim da guerra do Vietname. O impacto provocado por esta imagem dramática e a revolta que ela produziu em todo o mundo foi mais eficaz do que anos de reportagens jornalísticas ou televisivas. Ou nas belíssimas, mas terríveis pela sua veracidade, fotos de Robert Cappa da guerra civil Espanhola (fig.2) e da II Guerra Mundial, ou nas de Sebastião Salgado (fig.3) que revelam todo o horror e miséria do mundo subdesenvolvido e do mundo do trabalho.
Mas a importância da fotografia não está só em imagens polémicas. Podemos apreciá-la e até emocionar-mos, observando apenas a sua beleza e qualidade estética e técnica. Vejam-se algumas fotografias de Man Ray , Cartier Bresson (fig.4) , Imogen Cunningham (fig.5), Richard Avedon, Alfred Stieglitz, Ansel Adams (fig.6), Eliot Porter, Irving Penn, Franco Fontana , C. Berengo Gardin (fig.7), Édouard Boubat, Edward Weston (fig.8), Paul Strand (fig.9), Robert Doisneau, Arno Minkkinen (fig.10), Ralph Gibson, e desse espantoso retratista africano Seydou Keita (fig.11), só para citar alguns nomes.
Uma fotografia, apesar de na prática ser um múltiplo e o "produto de uma máquina" pode atingir no mercado de arte valores consideráveis, embora nunca comparáveis aos preços elevadíssimos atingidos pelas artes plásticas. Actualmente é vulgar ver em exposições e feiras de arte fotografias (normalmente de grande formato) expostas lado a lado com pintura e escultura.
Em 1991, num leilão da Sotheby´s em Nova Iorque foi vendida uma fotografia de Tina Modotti, denominada "Roses, Mexico" (ver imagem acima, fig. 12) uma platinotipia de 1923, por 25.000 contos. Também um fotograma de Man Ray atingiu um preço semelhante em 1990. Recentemente foi vendido em Paris, um álbum de 160 fotografias do Egipto realizadas em 1851 por Felix Teynard, por 120.000 contos. No "Salon Paris Photo" de Novembro de 1999, foi vendida uma impressão de uma fotografia de Edward Weston por 2,3 milhões de francos.
As fotografias de Robert Mapplethorpe, depois da sua morte em 1989 subiram rapidamente de cotação atingindo preços na ordem dos 3000 contos. A fotografia mais conhecida de Ansel Adams "Moonrise, over Hernandez, New Mexico" de 1941 (em cima, fig. 6), da qual existem mais de mil exemplares impressos (todos pelo próprio) e que é talvez a fotografia mais reproduzida (em papel fotográfico) de toda a história , vale actualmente entre cerca de 1.000 e 3.000 contos, conforme a qualidade da prova e a data de impressão.
António Carvalhal, 2000/2007©
Este texto foi aqui colocado pelo Fotógrafo João Cristina, nos termos de um projecto de pesquisa efectuada para o desenvolvimento do seu Site de Fotografia, http://www.cortefocal.com
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